“O Judaísmo precisa reconhecer as demandas da vida moderna”

Joel Rechtman - Editor Executivo da TJ

Tribuna Judaica: A Congregação Israelita Paulista (CIP) chega a melhor idade de 85 anos, rejuvenescida na sua gestão. Quais são as realizações e desafios?
Mario Fleck: Nesta marca dos 85 anos, consolidamos na atual diretoria da CIP uma visão muito importante sobre o futuro do Judaísmo e, portanto, suas perspectivas para os próximos 85 anos. A CIP é uma instituição que produz e oferece liturgia e conteúdo judaico, e está capacitada a ocupar um espaço protagonista no desenho do que deve ser o Judaísmo do futuro. Consideramos que as próximas gerações somente estarão interessadas em um Judaísmo que seja relevante, que proponha um estilo qualitativo de viver e pensar em relação à nossa comunidade e ao mundo em que estamos inseridos, e que proporcione uma vibração comunitária com múltiplas ofertas e uma diversidade de opções de afinidades.

Esta arquitetura do Judaísmo do futuro, conecta a tradição judaica milenar com as particularidades e ansiedades da vida moderna. Começamos a utilizar tecnologias inovadoras, e pretendemos ampliar o alcance do conteúdo vibrante de uma história rica de conhecimento e sabedoria a todos que possam se interessar em fazer parte deste grande projeto e ideal de vida que é o Judaísmo.

Estamos conectando a CIP com todos os principais projetos globais que discutem a relação das comunidades judaicas dentro e fora de Israel e, ao mesmo tempo, acessando e disponibilizando os melhores recursos intelectuais e acadêmicos do mundo judaico para nossas propostas educacionais, para todas as faixas de idade e de conhecimento.

TJ: No último Rosh Hashaná, em função da pandemia, os serviços religiosos foram televisionados, em parceria com a Hebraica. O que isso significou para a sua entidade?
MF: A pandemia acelerou um projeto que já estávamos preparando na CIP, para levar o Judaísmo até as pessoas. Estes tempos serviram para confirmar essa necessidade e demanda em um mundo complicado, com deslocamentos e distâncias cada vez menos viáveis. Nossas audiências nas Grandes Festas foram imensas, maiores do que todos os anos anteriores, e os comentários recebidos em retorno foram emocionantes. Famílias distribuídas geograficamente pelo Brasil e até em outros países se encontraram em nossas transmissões. Muitas pessoas de idade avançada e restrições de mobilidade ficaram muito gratas por este novo tipo de possibilidade de contato com a liturgia judaica. Isso acontece agora todas as semanas, em nossas transmissões de Cabalat Shabat e de Shacharit, aos sábados e mesmo nos minianim diários. A parceria entre CIP e Hebraica foi um especial sucesso e consolidou experiências que já vínhamos realizando e que a partir de agora serão ampliadas.

TJ: Como ex-presidente da Fisesp, e agora no seu novo cargo voluntário, como o Sr. vê o futuro do judaísmo em São Paulo?
MF: Os desafios do Judaísmo em São Paulo são os mesmos de todas as demais comunidades. A sua continuidade vibrante e intensa, que atravessou séculos, precisa reconhecer as demandas da vida moderna, as expectativas e interesses das novas gerações e buscar caminhos de relevância para seus membros. Precisamos melhorar as relações do Judaísmo liberal com o Estado de Israel, de modo que todos entendam a interdependência que existe entre esses dois mundos. Precisamos também encontrar o caminho certo de manter dentro de nossa tenda todos aqueles que valorizam e se interessam pelas propostas judaicas de forma de viver, pensar e atuar – para nós o conceito da “big tent” é essencial.

TJ: Estamos nos aproximando de Pessach. Qual mensagem o Sr. enviaria aos nossos leitores, neste momento em que estamos privados de liberdade, o maior significado desta festa?
MF: Aprofundem seus conhecimentos sobre a sabedoria judaica, a força da história deste povo, nação e religião únicos. Tenham sempre a consciência de que somos uma geração privilegiada pela criação do Estado de Israel, nossa real e única defesa contra o antissemitismo milenar e inacabável. Conectem-se para que sejamos um elo de honra nesta corrente tão especial, que milagrosamente sobreviveu a tudo e a todos pela força de suas ideias.

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