Joyce Pascowitch entrevista Rabino Weitman em live

Desirée Suslick - Especial para a TJ

A COVID-19 é um castigo de D’us? Como manter a fé em meio a tantas mortes? E como será a vida depois da pandemia?” Em uma entrevista online, ao vivo, a jornalista, colunista e publisher Joyce Pascowitch conversou durante uma hora com o Rabino Y. David Weitman abordando o lado espiritual da atual pandemia. Ponto central da conversa informal, acompanhada por milhares de seguidores, a importância da fé e a confiança em D’us.

Para o Rabino Weitman, é fundamental lembrar-se sempre, principalmente em situações de crises, de que nada acontece por acaso, sem determinação do Criador. “Nestes momentos, o importante não é se perguntar o porquê, mas sim o que fazer diante das dificuldades. O porquê talvez nunca seja conhecido e não depende de nós. O que fazer, sim, está em nossas mãos. O momento atual exige ação, que depende de cada um como indivíduo e da comunidade”, explica

Não é a primeira vez ao longo da história que a comunidade judaica enfrenta uma situação grave na área de saúde. Durante a epidemia da cólera e outras, as leis judaicas ligadas à higiene, por exemplo, ajudaram a salvar muitas vidas de judeus e não judeus, que passaram a seguir as mesmas orientações. Além, é claro, ressalta o rabino, da parte espiritual, com a realização de correntes de orações, leitura de salmos e ações de tzedaká.

À pergunta da entrevistadora se a pandemia da Covid 19 não seria um castigo de D’us, a resposta do líder espiritual é simples e direta: “Não. Eu não gosto da palavra castigo. Quando penso em D’us, não O vejo como um Pai rigoroso, com uma vara na mão esperando para nos castigar. Mas sim como um Pai com compaixão, piedoso e cheio de amor. Eu diria que a pandemia não é uma punição, mas, sim, um alerta, um chamado para nos despertar. D’us está nos mandando um recado”.

Para ele, a humanidade vinha em um processo no qual o homem acreditava ter o controle de tudo, podia fazer planos que se realizariam exatamente como ele projetara. Com a pandemia, o Todo-Poderoso mostrou que não é bem assim. O homem pode traçar os planos, mas o controle de tudo está acima, está na mão do Criador. “Infelizmente, o ser humano tem se tornado cada vez mais individualista, egoísta, consumista, materialista. E não deve ser assim”.

O mundo nunca enfrentou uma situação como a criada pela Covid-19, enfatiza o rabino. De repente, um pequeno vírus, invisível a olho nu, fez o mundo parar. Mais de 180 países parados, fechados em suas fronteiras. Durante sete semanas, cidades como Londres, Paris e Nova York, entre outras, tornaram-se cidades-fantasmas. “Qual seria o recado de D’us? O surgimento de um mundo melhor, no qual prevaleçam o carinho, o amor, a solidariedade. A época messiânica.”

Uma pergunta difícil de Joyce: “Por que D’us fez isso? Estamos no caminho errado?” Uma resposta honesta: “Ninguém sabe os motivos de D’us. Não posso responder, não somos profetas, nem filhos de profetas. Podemos apenas especular. Temos que parar de ver o mundo como algo natural, que funciona sozinho. Devemos entender que tem algo maior por trás. Nós vamos dormir todos os dias, acordamos e achamos que isto é normal. Mas tem pessoas que, infelizmente, não acordam. Por que? Ninguém sabe. Por que o Holocausto aconteceu? Não temos uma resposta. Não podemos ter a pretensão de entender tudo o que D’us faz, é impossível. Mas precisamos ser gratos por tudo que Ele nos concede. O fato de não ser capaz de aprender o que é infinito – D’us – não impede que eu saiba que Ele tem o controle de tudo e nada acontece sem Sua permissão. No judaísmo não se pergunta o porquê de uma situação, mas sim o que se deve fazer diante de uma situação. Esta é a pergunta simples e certa”.

Embaixadores da esperança

“O que temos que fazer agora?”, pergunta a entrevistadora. Uma das primeiras atitudes, segundo o rabino, é não se vitimizar diante da situação, não se render à angústia, ao medo, ao negativismo, à tristeza. Tal atitude não significa ignorar o sofrimento próprio e alheio, mas é preciso encontrar força na fé em D’us, na solidariedade e se tornar pró-ativo. Não ser apenas um espectador, mas sim participante por um mundo melhor. “Temos que ser embaixadores de esperança, de amor. É preciso entender que alegria e tristeza não são polos opostos e que mesmo nos momentos de maiores dificuldades é possível encontrar algo positivo”.

Quando perguntado sobre o impacto das sinagogas fechadas, o Rabino Weitman responde com uma metáfora: um copo pode estar meio cheio ou meio vazio. Depende apenas do olhar. Para ele, está meio cheio: as sinagogas não puderem funcionar, mas centenas e milhares de pessoas transformaram suas casas em locais de orações em todo mundo. Para D’us, não importa apenas o lugar, mas sim a prece. As pessoas não deixaram de orar. Ainda sobre o impacto da pandemia, ele explica que uma doença só afeta o corpo, o físico, mas não a alma, pois esta continua divina. Com seu esplendor e brilho.

A pandemia vai passar, novos medicamentos e vacinas serão descobertos e aos poucos o mundo retornará à normalidade, ou nova normalidade como muitos afirmam. “Quais ensinamentos devem perdurar”, pergunta Joyce. Segundo o rabino, agradecer a D’us, a continuidade das boas ações, priorizar o essencial e seguir as orientações das autoridades da área de saúde. “Devemos lavar muito as mãos. Metaforicamente, devemos nos lembrar nas Mãos de quem nós estamos. Jamais esquecer que quem determina tudo é o Todo-Poderoso, não é o vírus. E Ele está cuidando de seu rebanho…Vamos orar para que este período passe logo e vejamos a luz em breve”, finalizou Rabino Weitman.

Powered by WP Bannerize

Powered by WP Bannerize

Powered by WP Bannerize

Powered by WP Bannerize