“Acredito numa liderança baseada em valores”

Joel Rechtman - Editor Executivo da TJ

Tribuna Judaica: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória pessoal e de liderança.
Sebastian Watenberg: Nasci no Uruguai. Lá, frequentava o movimento juvenil Habonim Dror. Quando me mudei para o Brasil, continuei frequentando o movimento aqui em Porto Alegre. Quando ingressei na faculdade, e não vendo entidades na comunidade com as quais pudesse contribuir, fundei com alguns amigos um movimento universitário, chamado Ofakim. Depois, fui convidado a ingressar na Diretoria da FIRS, em 2007, entidade com a qual continuo contribuindo até hoje. Fui diretor, vice-presidente e, agora, presidente. Assumi em 2019, então com 37 anos, com o desafio de promover uma renovação na liderança comunitária. Acredito numa liderança baseada em valores, na transparência e na participação coletiva, e numa gestão alicerçada em projetos estruturantes.

TJ: O que os que não moram no Rio Grande do Sul deveriam saber sobre a comunidade gaúcha?
SW: A comunidade gaúcha é uma comunidade bastante ativa, com uma atividade muito intensa nas suas entidades. O Colégio Israelita é referência na comunidade maior e as nossas sinagogas têm uma vida judaica vibrante. As entidades assistenciais desempenham um papel de muita relevância, tanto na comunidade judaica quanto fora dela, com especial destaque para o Lar da Criança Anne Frank, na cidade de Viamão, na Grande Porto Alegre, que desenvolve um maravilhoso projeto educacional, e para o Iom Mitzvá, evento que reúne anualmente todas as entidades e é responsável por um terço das doações totais da Campanha do Agasalho de Porto Alegre.

Os três movimentos juvenis são muito ativos e participativos na vida comunitária, e acreditamos ser de vital importância o seu fortalecimento, na medida em que são celeiros de líderes comunitários. Eu sou um exemplo disso, assim como 80% de toda a nossa Diretoria.

TJ: Quais as medidas a FIRS tomou para reforçar a rede de proteção comunitária no momento da pandemia?
SW: Durante a pandemia, ativamos o nosso Plano de Emergência Comunitária (PEC), que está desempenhando um papel fundamental em nossa comunidade. A área de segurança é uma área prioritária em nossa gestão, e felizmente estávamos preparados para enfrentar momentos como este.

Temos atuado na área médica, de saúde mental, jurídica, de comunicação, religiosa e, mais recentemente, econômica, tendo em vista que os danos à economia também terão repercussão na nossa comunidade. Estou confiante que venceremos juntos este momento e que a nossa comunidade sairá mais forte e unida.

TJ: Quais são os principais desafios para o judaísmo no seu Estado?
SW: De modo geral, são os mesmos enfrentados pelas demais comunidades mundo afora. Precisamos encontrar uma forma de encontrar um modelo sustentável de comunidade no longo prazo, que engaje os jovens na atividade comunitária, e que faça com que cada membro da comunidade se sinta acolhido e pertencendo ao todo.

Temos que repensar as nossas instituições e nossos modelos. Aquilo que nos trouxe até aqui, com sucesso, não necessariamente será capaz de assegurar um futuro promissor para a nossa comunidade. E esse debate é urgente.

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