Rabino Chaim Biniamini Z’L exemplificou em sua vida o povo de Israel que renasceu das cinzas. Literalmente! Ele foi sem dúvida um dos grandes responsáveis pelo renascimento do mundo da Torá no Brasil no período pós-guerra. Ele, que foi sobrevivente do campo de Bergen-Belsen, contava a seus alunos que quando a guerra estava chegando ao final, muitos prisioneiros foram colocados em vagões pelos nazistas e levados para o interior da Europa, fugindo dos aliados. Após dias de viagem sem condições, quando os alemães viram que não conseguiriam fugir, ainda tiraram os que restavam vivos nesses trens e os enfileiram frente ao rio Elba para metralhá-los e caírem em suas águas.
Neste momento, apareceram os tanques dos aliados e os alemães fugiram. Rav Binyamini então prometeu que, “se minha vida foi salva pela Providência Divina no último minuto, vou dedicar toda minha vida para Am Israel”. E assim foi!
Após a guerra, Rav Binyamini fez aliá, se juntou ao Kibutz Iavne e fazia parte do grupo da Haganá que ajudavam a descarregar os navios clandestinos de olim oriundos da Europa. Numa dessas ocasiões, foi preso pelos ingleses e deportado para o Chipre, onde ficou preso por seis meses.
De volta a Israel, fundou a escola agrícola de Or Etzion, em Shafir, no sul de Israel ,que depois se transformou num grande centro educacional. Veio ao Brasil como representante da Sochnut no Rio de Janeiro e foi diretor da Escola Bar-Ilan nos seus primeiros anos.
Numa segunda Shlichut, decidiu fundar a Yeshivá Machané Israel, em Petrópolis, onde transmitiu por décadas um judaísmo autêntico e formou centenas de alunos, que espalharam pelo Brasil a sua energia e a mensagem de que, apesar dos desafios da vida, a Torá é eterna e deve ser vivida com orgulho e alegria em todas as circunstâncias.
Entre seus alunos, vários são líderes comunitários, ativistas, rabinos e professores. A Yeshivá “Tomchei Tmimim” e a Yeshivá “Or Yossef” (Cotia) são dirigidas por seus alunos, assim como grandes comunidades no Brasil e no exterior.
Centenas de histórias
Falar do Rav Binyamin seria contar centenas de histórias, onde sua imagem firme, profunda e carinhosa de educador se fez gravar nas mentes e corações de seus discípulos.
Ele era único na procura por uma vida autêntica, permeada somente pela verdade, sem rodeios e políticas. Uma pessoa que vivia somente em prol de ideais e esperava que o mundo também correspondesse à chamada pelo essencial e verdadeiro.
Sua empolgação com o Judaísmo carimbou uma geração de alunos que se sentiam como seus filhos; que viam naquele homem magro e frágil um gigante espiritual, que se transformava num anjo de fogo durante suas orações.
Os milhares de discípulos de seus alunos são a prova de que Am Israel se levantou das cinzas de Bergen-Belsen.
E assim como naqueles dias, nos tempos de Chanucá, um punhado de macabeus se levantou para perpetuar a Eternidade de Israel. Tivemos o mérito de conhecer a versão de Chanucá em nossos dias na pessoa do Rav Biniamini Z”L, que acendeu milhares de almas que aumentam a luz do judaísmo em nossos dias. BaYamim Hahem, Bazman Hazé! Naqueles dias, em nossos tempos! TJ