Os desafios da Agência Judaica no pós-pandemia

Joel Rechtman - Editor Executivo da TJ

Nestor Kirchuk, diretor da instituição, fala da absorção dos judeus ucranianos, com apoio do Keren Hayesod

Tribuna Judaica: Israel completa 74 anos. Quais são as semelhanças e diferenças da Aliá no início do Estado de Israel e no momento atual?
Nestor Kirchuk: De 1948, quando se declarou a Independência de Israel, até 1951, fizeram Aliá 700 mil judeus. Antes disso, já moravam ali 650 mil judeus. Ou seja, nos primeiros três anos, a população de Israel duplicou. Até 1960, chegaram cerca de um milhão de olim, o que foi algo positivo na primeira construção do Estado, quando foram erguidos bairros, cidades, edifícios, rodovias. Naquela época, os judeus vinham principalmente de muitos países da Europa. E posteriormente, chegaram muitos judeus do Iraque, Turquia, Irã e da África, principalmente do Egito, Marrocos, Tunísia e Líbia. Obviamente que naquela época havia muito pouca Aliá da América. A diferença principal é que naquele momento estávamos construindo um país, e a imigração eram de pessoas que queriam participar dessa construção ou estavam fugindo de perseguições. Nas últimas décadas, quem faz Aliá sabe que Israel é o lar dos judeus. Em diferentes pontos do mundo, os judeus sabem que Israel é seu porto seguro, e se tiverem algum problema, sabem que o país está aberto para eles. Além de todos que fazem aliá porque querem fazer parte de um Estado moderno e do lar dos judeus.

TJ: Israel sempre acolheu os judeus da Diáspora em situações extremas, como os da antiga União Soviética e da Etiópia. Como está sendo a operação de resgate na atual guerra?
NK: No final dos anos 1980, cerca de um milhão de judeus chegaram quase ao mesmo tempo a Israel, vindos da antiga União Soviética, quando se liberaram as portas do país. Isso gerou um esforço muito grande do sistema de absorção. Hoje, a Agência Judaica e o governo israelense estão fazendo um esforço muito grande, nas fronteiras ao redor da Ucrânia, para absorver a maior quantidade possível de judeus ucranianos. Aqueles que querem fazer Aliá, terão seu caminho aberto, e aqueles que não querem, serão acolhidos, para depois escolherem seu destino. Muitos voluntários estão trabalhando, com doações de todo o mundo, para ajudar toda a comunidade judaica da Ucrânia, com importante apoio financeiro do Keren Hayesod. Desde que a Rússia começou a guerra, sentimos também um incremento muito grande de judeus russos que querem fazer Aliá.

TJ: A Aliá brasileira também apresentou números importantes. O que vale destacar?
NK: A Aliá brasileira é muito constante. Nas últimas décadas, os números de olim do país são, ano a ano, muito parecidos. Por muito tempo se manteve a média anual de 180 a 200 olim brasileiros. A partir de 2015, começou a subir esse número. A diferença é que aqui as pessoas não estão fugindo. A maioria dos brasileiros fazem Aliá porque querem e dependendo da faixa etária, há motivos especiais. Quando vemos os olim com mais de 50 anos, normalmente são pessoas que já tem família no país e querem se juntar a seus filhos e netos. A partir dos 28 anos, são famílias jovens, com filhos, que decidem continuar suas vidas em Israel. E também há os mais jovens, que querem estudar no país e, depois da universidade, fazer carreira em Israel. Nós, da Agência Judaica, fazemos duas feiras de Aliá por ano, para ajudar, motivar e mostrar as muitas possibilidades que temos para os olim do Brasil.

TJ: Até esse momento de sua shlichut, quais foram os principais desafios e realizações?
NK: Cheguei a essa shlichut com muitas atividades, de norte a sul do Brasil, até que veio a pandemia, que impactou o mundo todo, e nossos planos também. E claro que o grande desafio foi, em dois anos de pandemia, nos adaptarmos à nova realidade, utilizando plataformas digitais, com Zoom, Facebook e Instagram. Fizemos de tudo para manter o contato com as diferentes comunidades, para manter presença e comunicação constantes. E hoje, o grande desafio, depois da pandemia, como a maioria das instituições da comunidade, é continuar com essa comunicação direta, aprofundar as atividades que estamos acostumados e, obviamente, fazer com que Israel esteja presente na vida de todas as comunidades.

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